Robbie e Teresa
Longe do peso de uma rotina profissional, fora do contexto de trabalho-casa-trabalho, e na ânsia de disfrutar de uma calorosa noite carnavalesca, uma discoteca de ritmos brasileiros torna-se num local propício ao relacionamento de pessoas que procuram a diversão pura proporcionada no dia mais animado do ano.
Ela, longe dos seu quente país, aonde nasce o verdadeiro samba e as mais originais caipirinhas, tenta integrar-se na festa mais brasileira dessa noite, na expectativa de se sentir acolhida pelos seus compatriotas, e de suprimir a sentida saudade que a marcava desde que deixou um dia esse lugar…Ele, animado por amigos – profissionais do álcool e das noites festeiras, mas super amadores na arte do samba – ia pela primeira vez fazer juz à tradição brasileira e juntar-se aos nativos desse país para tirar o pé do chão.
A noite pedia um abraço quente, a música agitava voluntariamente a emoção de cada um, o ambiente pedia exageros, as caipirinhas faziam escorregar as palavras. Robbie, encantado com o “requebrar” de Teresa, não se limitava a observar; algo nessa mulata o fazia vibrar e ele não podia perder a oportunidade de lhe fazer chegar esse calor. Os olhares entrelaçavam-se e as expressões denunciavam a química e assim que conseguiram encontrar um idioma comum, Teresa concretiza o seu acto de hospitalidade com um beijo alcoolicamente quente. Ambos sabiam que o próprio contexto pedia isso, talvez ate mais, mas nenhum dos dois revelava o que ia para além da atracção física que podiam nutrir. O cruzamento das nacionalidades em nada comprometia o envolvimento, muito pelo contrário: o facto de terem de ir além fronteiras contribuía para a curiosidade e a necessidade da descoberta de tudo o que estava alheio a cada um deles. E em poucas horas, o que estavam a partilhar anunciava um segundo, terceiro ou muitos encontros, não importava nada do que pudesse estar para trás ou para a frente. Dito e feito: feriado carnavalesco, ninguém trabalhava, o tempo pedia descanso de uma noite emocionalmente forte, e as condições vividas potencializavam um encontro imediato. Robbie encontrou-se com Teresa no bairro da comunidade brasileira e facilmente se deixou dominar pelo calor humano e alegria contagiante dos que partilhavam esse espaço. Ele dava-se conta que estava no seu próprio país mas ao mesmo tempo a viver longe do frio e da falta de positivismo característica dos seus conterrâneos. Não fazia falta nada mais do que a companhia daquela mulher, que lhe proporcionava um acolhimento voluntariamente especial. Resultaria que, no seguimento desses constantes encontros, que se tornaram cada vez mais ansiados e disfrutados, nascesse um bonito namoro, muito mais do que um affair internacional e longe dos típicos flirts de uma noite. Ambos ultrapassaram a barreira da língua, do preconceito e da distância sentida aquando das deslocações dela à sua terra natal – para esses momentos valiam-lhes os sites……
A estadia de Teresa ficou comprometida desde esse instante, que renunciou ás suas origens, mas nunca perdendo o calor e felicidade típica, desta vez partilhados a dois.
Autor: Lucianna
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